Os Quatro Elementos
e o tempo
e o tempo
ordenam o mundo
e a ampulheta vaza devagar
cada minuto
cada segundo
mas um dia para
para recomeçar
tudo de novo
tudo de novo
em outra Era
em outro mundo
invólucros herméticos
impenetráveis
acumulam conhecimentos
intermináveis
mas de nada adianta reter
o que não se pode entender
até o olho que tudo vê
nada vê
se não olhar além do muro
porque o saber
não é o conhecer
não é o conhecer
ainda que andem juntos
o sábio
precisa romper obstáculos
enxergar as entrelinhas
montar os pedaços
decifrar os símbolos
as incógnitas
as místicas
e as míticas palavras
que desvendam tudo
como as rosas vermelhas
os incensos
as mandalas
as rosas do vento
o fogo eterno...
e todas as palavras
perdidas no tempo
perdidas no tempo
os homens que se julgam
Deuses Celestiais
não passam
de Bestas
de Bestas
em seus mundos individuais
julgando
e condenando
mas são incapazes
de ouvir a si mesmos
de ouvir a si mesmos
quem dera ouvir o silêncio
eles aprenderiam muito mais
pois ele não joga palavras ao vento
e essas carcaças vazias
passam destruindo tudo
como as águas
que transbordam de um rio
que transbordam de um rio
causando distúrbios
enquanto suas almas
vagueiam perdidas
vagueiam perdidas
a procura
de um Templo Sagrado
de um Templo Sagrado
para repousar
pois
a Esperança
a Esperança
é a única chama
que aquece o coração
que aquece o coração
desse moribundo mundo
de onde viemos?
para onde vamos?
quem somos?
são perguntas feitas
através dos anos
e a resposta quem dá
é o Arquiteto...
são grãos de areia
que vazam
nesse imenso Universo
Jussara Pires
