a espinha
atravessa
a garganta
mas não o alimenta
remova-a!
o cabresto
enfinca
no rosto
mas não é o seu guia
arranque-o!
descarregue
a carga
que traz
em seus ombros
ela não fortalece
só o atrasa
afaste
da boca
esse doce veneno
ele não é remédio
e um dia
o mata
o mata
livre-se
dessas correntes
que envolvem seu corpo
elas não o abraçam
acalme
seu peito
com amor verdadeiro
sempre
se queira primeiro
pegue sua trouxa
levante sua bunda daí
ponha o pé na estrada
mova-se!
os grilhões
que prendem sua alma
estão em sua palma
liberte-se!
Jussara Pires


