quinta-feira, 29 de setembro de 2016

MARESIA



Maldita fome
só sente quem não come
pois quem come
não conhece
a cor da dor
de uma barriga vazia
que só tem o vento
como alimento

maldita água salgada
molha a cara
lava a alma
encharca
mas não afoga
quem sabe nadar

compridas noites frias
passam arrastadas
e reviram as entranhas
cada vez
que a máquina da vida
ensina a navegar

maldito timoneiro
não entende
que marujo novo
em revoltas águas
não sabe a maresia
que o balanço do barco dá

pobre marinheiro
ao primeiro jogo do mar
vomita tudo
até o que não tinha lá.


Jussara Pires

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