Maldita fome
só sente quem não come
pois quem come
não conhece
a cor da dor
de uma barriga vazia
que só tem o vento
como alimento
maldita água salgada
molha a cara
lava a alma
encharca
mas não afoga
quem sabe nadar
compridas noites frias
passam arrastadas
e reviram as entranhas
cada vez
que a máquina da vida
ensina a navegar
maldito timoneiro
não entende
que marujo novo
em revoltas águas
não sabe a maresia
que o balanço do barco dá
pobre marinheiro
ao primeiro jogo do mar
vomita tudo
até o que não tinha lá.
ao primeiro jogo do mar
vomita tudo
até o que não tinha lá.
Jussara Pires
Nenhum comentário:
Postar um comentário