sábado, 9 de maio de 2015

NEM SEMPRE MÃE É TERNURA



Um nó na garganta
se planta
todas as vezes que eu quero falar sobre você
tantas foram as nossas brigas
nossas birras
enfadonhas
medonhas
repletas de palavras sentidas
cheias de magoas
que foram ditas
e outras
reprimidas

sua passagem em minha vida
deixou-me feridas
mas que fiquem esquecidas
escondidas
dentro de mim

pois elas
já foram curadas
cicatrizadas
tanto as doloridas
como as engraçadas

só trago as lembranças
de suas palhaçadas
canduras
que me fazem rir

e as que lembram
o que não devo repetir

minha mãe
você nem sempre foi ternura
nem sempre foi carinho
mas também
nem sempre foi fácil o seu caminho
se minha vida não foi como eu queria  
a culpa não foi sua
pois
entre acertos e erros
você deu o melhor que tinha
para me oferecer

enfrentou tormentas
atravessou espinhos
para que só tivessem flores
em meu caminho

agradeço
mãe

por me fazer existir


Jussara Pires

Foto de: Jussara Pires

Nenhum comentário:

Postar um comentário