ESTAMPIDO!
Mãos
erguidas
acaloradas
vozes
protestam
querem
respeito
querem justiça
de
repente uma explosão
gente correndo
para
todos s lados
um
pé descalço
uma
sandália que fica
óculos
quebrado
bandeirolas caídas
que
embaraçam
em
pernas corridas
em meio a fumaça
e
olhos ardidos
gritos
empurrões
uma
criança que solta a mão
uma
mãe que vai com a multidão
empurrada
na
enxurrada
que passava
no lugar certo
na
hora errada
procura o filho
desesperada
desesperada
de
repente
uma
bala perdida
encontra
um alvo perfeito
um peito
quem
é a vítima?
quem
é o culpado?
mas a quem importa?
lá vai a mãe
com o coração na mão
espedaçado
espedaçado
como
vidro trincado
pura ilusão
pensar
que ele fosse blindado
chora
o
choro sentido
uma
mãe que perde um filho
e ninguém oferece a mão
é
só mais um corpo
estendido
no chão
mais um anjo
que vai para o céu
e
o sangue que borbulha
borbulha
em vão
o descanso de quem vai
e
o descaso de quem fica
Jussara Pires
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