sábado, 13 de junho de 2015

ESTAMPIDO!

ESTAMPIDO!

Mãos erguidas
acaloradas vozes
protestam
querem respeito
querem justiça

de repente uma explosão
 gente correndo
para todos s lados
um pé descalço
uma sandália que fica
óculos quebrado
bandeirolas caídas
que embaraçam
em pernas corridas
em meio a fumaça
e olhos ardidos

gritos
empurrões
uma criança que solta a mão
uma mãe que vai com a multidão
empurrada
na enxurrada
 que passava no lugar certo
na hora errada
procura o filho
 desesperada

de repente
uma bala perdida
encontra
um alvo perfeito
um peito
quem é a vítima?
quem é o culpado?
mas a quem importa?

lá vai a mãe
com o coração na mão
espedaçado 
como vidro trincado
pura ilusão
pensar que ele fosse blindado

chora
o choro sentido
uma mãe que perde um filho
e ninguém oferece a mão
é só mais um corpo
estendido no chão
mais um anjo
que vai para o céu
e o sangue que borbulha
borbulha em vão

o descanso de quem vai
e o descaso de quem fica

Jussara Pires



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