Borboletas não
viuvinhas!
ela
batia palmas
adorava
viuvinhas
plantei
um pé de acácia
na
porta da casa
que
enchia de viuvinhas
só para ver o
sorriso
da menina
traquina
valente
sempre
sozinha
e
desde pequena
nada temia
era muito levada
voltava
com
um olho roxo
mas
o desaforo
ela não levava
tudo queria saber
gostava de ler
e a língua presa
não era motivo
para
não aprender
ela
vestia ‘pacote’
em
vez de capote
e usava ‘lidificador’
para
fazer um suco forte
por
que?
sempre
perguntava
o que é isso?
sempre curiosa
por
que não?
nunca
aceitava
e
por que sim?
sempre duvidosa
e sempre dizia
“quem
pergunta o porquê
será esperta
quando crescer”
mas
quando
ficava doente
e sempre ficava
doentinha
eu entristecia
como eu sofria
e
muito mais que chorar
por dentro
eu morria
por muitas vezes
perdi a
esperança
de vê-la crescida
mas
ela sobreviveu
porém
a pequena
pouco
cresceu
por que?
ela
é a minha eterna menina!
Jussara Pires
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