segunda-feira, 23 de novembro de 2015

FARDO DOS CONDENADOS



a espinha
 atravessa 
 a garganta
mas não o alimenta
remova-a!

o cabresto
enfinca
 no rosto
mas não é o seu guia
arranque-o!

descarregue
a carga
que traz 
em seus ombros
ela não fortalece
 só o atrasa

afaste
da boca
esse doce veneno
ele não é remédio
e um dia
o mata

livre-se
dessas correntes
que envolvem seu corpo
elas não o abraçam

acalme
seu peito
com amor verdadeiro
sempre 
se queira primeiro

pegue sua trouxa
levante sua bunda daí

ponha o pé na estrada
mova-se!

os grilhões
que prendem sua alma
estão em sua palma

liberte-se!

Jussara Pires

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