Doces odores
da murta
do alecrim
e da mirra
incendiavam o jardim
o balanço suave
da rede
e o som das árvores
ao vento
embalavam a criança
em um sono sem fim
a brisa
de momento em momento
acariciava sua pele
e revolvia as folhas secas
da acácia
em um redemoinho
dançante
em um canto
uma singela obra-prima
uma fonte
por um pote
a água escorria
entre as mãos
de uma camponesa
deslumbrante
do pote
a água caía
em uma tigela rasa
onde dois cardeais
chilreando
e batendo suas asas
faziam um festim
de pura alegria
da tigela
a água descia em cascata
entre
heras
samambaias
e belas-emílias
desembocando
em um lago de seixos
que refletia
os últimos raios do dia
já no lago
resvalava
em perfeita sincronia
um cardume
de pequenos peixes
coloridos
e
apesar dos olhos fechados
a criança sorria
com a poesia
desse paraíso
Jussara Pires
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